31 de dezembro de 2014

ESQUINA CLARA



Foto: Regard sur Image 


ESQUINA CLARA



Recolho-me na concha
e desabrocho na
ondulação do vento.

Estende o braço.
Abre a mão.
Quero tocar 
no oculto da tua roupa.

Trago compassos
que vou abrir
ao alargar o nosso espaço.
Simples raio.
Espaço circular onde, 
quando abro os braços
e posso rodopiar.

Puxa-me para ti.
Estás livre.
Solta-me a mão.
Eleva-me do chão.
Posso voar
e rasgar o ar.

Andamos às voltas
para manter acesa a fogueira.
É preciso oxigenar o Amor pois
há fortes riscos de morrer de apneia.

Respira na página
quando te dou corda. 
Deixo que a língua fale em silêncio. 
É assim que o Amor acorda
sem Solidão.

Anoitece
e dançamos em Sol menor.
Sem dó
Lá num espaço encantado.
Quebra-se o gelo.
Recolhe as estrelas do meu cabelo.
vamos pelas ruas adentro.

Nos reencontraremos,
quando dobrarmos a esquina clara
do desejo que cai no pano 
virgem.
Nada receies!
Estarei cá para o ano.

Ana Pereira