29 de março de 2015

ASSIM SE MORRE

 
Foto: Bjorn Oldsen 
 
 

ASSIM SE MORRE



 Anda comigo ver o mar
na alvorada do sentir.
Como humanos
poderemos perder o pé.
Seremos oceano.

Ensaboo-me na tua voz.
Dissolvo-me nas tuas
mãos acesas.
Soletro devagar
as letras soltas
nas ondas do teu corpo.

És um mapa astral.
Não são precisas estrelas.
Leio-te em braille.
Estou cega por ti.
Bordas nos meus lábios
o que a língua diz
e no silêncio da rima
surge a poesia.

Meu rio cristalino,
escuta na concha
o meu grito de maresia.
Enlaça a água.
Falo em mim.
Falo em nós.
Assim se morre
no sitio certo.

Ana Pereira