12 de abril de 2015

O NÉCTAR


Foto - CB Tom


O NÉCTAR



O que se passa
na tua cabeça,
não sei.
Só falo que sinto
entre as coxas.

Tocas o corpo quente
de roupa inexistente,
debaixo da luz molhada
da tua língua.

Acende-se o fogo preso
que queima 
pela cintura.
Com a pele da tua mão
experimentas a água intima
da pura sedução.

O corpo reconhece a terra, 
quando rastejamos pelo chão.
Abre-se em flor
e é arrancado pela raiz
com o gesto
derramado na pele.

Deixas cair minúsculas sementes,
letras sem cais.
Atingimos o ponto certo
com as palavras:
poesia corporal.
Escorrem do favo de mel
e perpetuam 
o seu sabor liquido
na tua boca.

Nasce, assim,
o néctar dos deuses. 

Ana Pereira