18 de maio de 2015

JOGO NOTURNO


Foto: Alenushka Sestrichkina


JOGO NOTURNO


A cama fica de vigília.
A roupa é cadente.
A pele submissa
ao toque.
O corpo é fluído.
As mãos são virgens.

A noite é profana.
É dela que imana
o grito surdo
no poço sem fundo.

Os beijos silenciados
ficam perdidos nos
recantos do corpo.

Só poderão ser palpáveis
na cama acesa,
lábios de rosa,
colhidos por ti.

Infiltra-te na terra.
Incendeia a sombra.
Assim orvalhará na primavera.

Amanhã
este poema irá invadir-te
e verás que 
nada é o que parece.
Apenas um jogo (poético) noturno.

Ana Pereira