27 de julho de 2015

ENFEITIÇA-TE


Foto: Anekceeb


ENFEITIÇA-TE


Atravesso a brancura inocente
que virgem violo.
Acolhe-me o que é visível.
O sopro mágico
faz o vazio falar.

Ninguém pode salvar-me
do que pode matar-me.

Embala-me o som
do silêncio,
marés de palavras ecoadas
no espaço.

Parte-se o espelho.
Ficam estrelas cadentes
trituradas.
Acabou-se a magia.

Descobre o mistério da reflexão.
Vê abertamente por dentro
o que se oculta
pelo lado de fora.

Afasta as nuvens.
Torna-me transparente.

Mastigo o silêncio.
Engulo a palavra,
sopro de luz.

Sobe até à ponta dos cabelos
com os lábios húmidos
na ponta dos dedos.

À luz nua
recolhe-me e bebe a poção
da eternidade.
Enfeitiça-te.

Ana Pereira