17 de setembro de 2015

SEM A DITADURA DO TEMPO...


Imagem - Google


Sem a ditadura do tempo...


Horas a fio a falar contigo,
sem dar conta do escoar do tempo, 
descontraído e bebendo as palavras, 
antevendo a luz que se apodera do teu rosto,
sem a tirania do relógio a cortar-nos as asas
ao encanto...

Ouço-te rir com despudor
sempre que a conversa se desvia 
para temas que dizem respeito ao futuro,
um futuro que ambos queremos seja nosso,
donos que somos das nossas vontades, 
sem nos incomodar os que 
possam censurar-nos...

Que insensatez a daqueles
que nos criticam por termos esta cumplicidade,
por gostarmos de saber um do outro,
para nos encantarmos 
no fluir fácil das palavras,
que nos desnudam de forma mais clara
e cristalina, do que se estivéssemos
em frente um ao outro,
sem qualquer peça de roupa...

Minha querida, sabes bem 
como é gratificante desnudar-te
a minha alma, sem estar preocupado
com a ditadura do tempo, 
nem me preocupar com a censura 
dos que não sabem amar...

E quando, finalmente 
desligamos e nos desejamos, 
um ao outro o melhor
que nos queremos, 
então, 
damos conta do muito tempo 
que estivemos a falar 
sem darmos conta do tempo 
a passar...

Aí eu digo-te quase a ciciar,
bendito seja o teu feitiço, 
minha querida feiticeira...

Hamilton Ramos Afonso

In "Amores em Terra de Bruma e de Lava"