1 de setembro de 2015

SOMBRA LIVRE


Foto: Kemal Kamil


SOMBRA LIVRE


Talvez não saibas,
mas onde me deito
não há tempo.

De raiz sou feita de pedra.

Calço saltos altos.
Rendo o meu corpo
para os teus enleios.
Penteio os pesadelos
Que trago.
Pinto os lábios de cor 
rosa amargo.

Toco as sombras,
rastejando.
Os fantasmas andam na rua.
O céu por cima 
de mim flutua.

Estou para morrer.

Algo me aperta a garganta.
Sufoco atrás de cortinas 
de Palavras.
O que corre nas veias
desagua no suspiro
da voz.

Despe-me
antes de ser corpo.
Desconheço os seus refúgios
secretos.

Caem estrelas
pois quando não há sono,
renasço em ti:

Poema virgem,
nos lábios alheios,
sombra livre
da alma.

Ana Pereira