2 de outubro de 2015

ORALIDADE...


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Oralidade...


Apagas-me as palavras quando os teus lábios se encostam aos meus 
e ficam à porta dos segredos meus, 
que partilho avidamente, 
tornado-os nossos,
na volúpia do beijo húmido,
onde confessamos o nosso amor...

Bebemos pelo mesmo copo a luxúria e a sofreguidão,
ao ritmo com que nos despimos 
e vestimos apenas as peles nuas e suadas
dos nossos corpos, com o sal que tempera 
as línguas ávidas de explorar outros sabores, 
outros gostos...
outras geografias...
mais recônditas...

É então que corpos arqueados 
quase que simetricamente reflectidos
se solta o grito 
em golfadas de prazer...


Hamilton Ramos Afonso