2 de outubro de 2015

QUANDO ME "MATAS"


Imagem - Google


QUANDO ME "MATAS"


Desvendas por dentro
o que por fora
está fora do alcance.

Desvendas as cicatrizes
do olhar
quando me acordas
nos teus lábios.

As tuas mãos
conseguem trinchar
toda a roupa.

Cozinhas-me em lume brando.
Descobres todos os espaços.

Haverá sempre
a geometria curva
do sangue que escorre.

É na cama vazia
onde desmaio,
que me torno a gota fria
que cai na terra,
inocente.

Se o corpo está quente
é porque o Amor nada faz.
O teu beijo ausente
não me satisfaz.

Por isso,
se morrer amanhã,
terei um papel primordial:
serei morta
sobre as tábuas
do caixão.

Não chames por mim.
Só te falarão
em discurso indireto.

Hoje,
ficarei no sacrário da mente
e adormecerei no teu
peito vivo.

Ana Pereira