3 de outubro de 2015

...UMAS NAS OUTRAS


Imagem - Google


...UMAS NAS OUTRAS


Primeiro foram os teus olhos
depois foi o teu pescoço
os teus gestos meticulosamente precisos
o abandonar dos teus cabelos
sobre o teu rosto
Depois foi a tua boca
que calada dizia tudo que eu adivinhava ouvir
a voracidade e o ardor da pele
o rubor das maçãs do rosto
os olhos postos no chão por pudor

Depois foi o fogo aquecendo as veias
fazendo encosta de lava na pele
na íngreme encosta dos meus sentidos
desapertando verdades
que julgava adormecidas
um crescer de intensidade 
que se avolumou quando os meus olhos
cruzaram os teus

E depois foi aquele boa noite
quebrando o gelo
aquele arrecadar de pedras preciosas
num único aperto de mão
como se as tivéssemos perdidas entre os dedos
e as precisássemos partilhar

Foi aquele instante!
Aquele instante tornado eterno
como se um único olhar bastasse
para que eu te tocasse
e dentro da normalidade das coisas comuns
nos pertencêssemos
como se sempre nos tivéssemos pertencido
sem pressas
só presos por esse cordel
que ata os sentidos das pessoas
umas nas outras!

São Reis