5 de março de 2016

MEDUSA DA NOITE




MEDUSA DA NOITE


O dia se esconde...
É chegada e a escuridão vem... E com ela,
a medusa da noite rascunhada de escarlate
desabrocha do seu caracol diário.
Uma vez, seduzida pelos sentimentos de
êxtase, e os dividendos de sua vontade,
avança o semáforo da sua volúpia e na
esquina das suas necessidades, inicia
a venda da sua paixão.
E assim, entrega-se ao serpentear do seu
carinho e ao acordar do cio... Lágrimas
despencam dos sentimentos vazios.
Tão logo seu momento se esvazia e no
avançar da solidão, permeia-se em seus
pesadelos mútuos e sonhos, se perdem
no labirinto do amor. 
A medusa nessa hora...
Em vez de amar chora, chora pela vida que
seu feito lhes oferece e pelo aperto em seu
peito e as rugas do agora.

António Montes