12 de outubro de 2016

LAREIRA ACESA




Lareira acesa


Lareira acesa em fogo vivo,
com a lenha a crepitar 
no rito devorador do fogo
a contrastar com o aguaceiro
que cai lá fora 
acompanhado daquela brisa desagradável
que arrasta os pingos da chuva
e nos molha, obrigando-nos ao malabarismo
de rodar o guarda-chuva, 
para tentar evitar o inevitável...

O langor do calor que impregna o ambiente,
convida ao enroscar de dois corpos
no abrigo de um colo acolhedor, 
ancorando-nos no amplexo de dois braços
que nos acolhem, nos abraçam sem sufocar...

As carícias e os mimos da paixão e do desejo
fazem com que o chão da sala fique juncado 
da roupa que nos cobria a nudez e então os dois descobrimos,
com prazer e volúpia que a roupa que melhor nos assenta
é a pele um do outro, cobrindo-nos e aquecendo-nos...

Como é bom descobrir, 
que até com o calor da lareira a aquecer-nos,
há arrepios e suores frios que nos são sublimes, 
e contradição, nos aquecem o coração...

Hamilton Ramos Afonso