19 de fevereiro de 2017

PEQUENINA




PEQUENINA 


A nudez do corpo
é uma ideia vaga e solta.
Bebo o teu hálito...
e uma ilha surge.

Pousas os lábios no peito
e nascem estrelas nuas.
Eu sinto-me pequenina.

No plano somos
pontos coincidentes
e alongamo-nos infinitamente,
sem paralelismos.

Gostamos do que é perpendicular
para nos podermos encontrar
em qualquer lugar.

Os abraços são bons,
dependendo do ângulo.
É bom o que é agudo
e isso não é grave.
Apenas mais apertadinho.

Queres aumentar a intensidade?
Vamos dar uma volta
pois isso será giro,
para depois rasarmos tudo
entre quatro paredes.

Mas eu sou pequenina
para dormir 
entre os teus braços.
Ponto.

Ana Pereira