15 de agosto de 2017

APETITE





APETITE


As revoluções ocorrem
a solo,
sentados à mesa.

Na onda
do bota abaixo,
no restaurante quiseste
o aperitivo
e eu subi o vestido.

Trazia os seios envergonhados
e tu a desejar
que estivessem destapados.

Rasgaste a roupa.
Trinchaste a pele.
Passaste a língua pelo molho.

Tremes.
Arrepio-te.
Suspiro.

Não quero os buracos
preenchidos com palavras.
Quero vácuo.
Tira-me o ar.

Vamos cair.
Gosto de catástrofes.

Sairemos ilesos
sem estarmos presos
a cartas predefinidas.

Agora podes pedir a comida.
Mas se não te faço falta,
não a peças.

Vamos abrir a noite
ou não tens apetite?

ANA PEREIRA