29 de março de 2015

MENINO, DE NOVO

 
 
 

Menino, de novo
 

 Convoquei-te
para uma batalha
de almofadas e travesseiros,
travessura que acaba sempre
nos braços um do outro,
em longas trocas de carícias,
onde as mãos não param de explorar
a pele e o corpo um do outro…

No meio de lençóis revoltos,
almofadas desalinhadas
reina a serenidade
de dois seres que se amam
extenuados pela valsa da paixão
que duas almas e dois corpos
acabaram de interpretar
no palco da celebração da vida e do amor…

E assim começamos
nossos cúmplices passeios
pelas veredas da paixão,
vestidos apenas com a pele um do outro,
em brincadeiras de adolescentes
porque, nisso tens uma enorme responsabilidade

A responsabilidade de me teres transformado,
de novo em menino ladino e travesso.
 
Hamilton Afonso
 

AINDA NÃO TE DISSE QUE AINDA TE AMO

 
Imagem - Emozioni ed Atmosfere

 
 

AINDA NÃO TE DISSE QUE AINDA TE AMO



 Ainda não te disse que ainda te amo,
Que ainda não te esqueci; não sei dizer
Ou até saiba, mas, sei que é longe a ser;
Nada escutas de mim, mas, amo-te.

Amo-te tal outrora, ou, até ainda mais,
Perco-me em entrelinhas e esqueço
Que nem entenderias que ainda penso
Em nós e o quanto ainda tenho a dizer-te.

Ainda não te disse que ainda te amo;
Nunca é tarde demais para o fazer,
Ou até seja, mas, jamais é demais;
Nada que o tempo não dê, porque amo-te.

Amo-te tal outrora, ou até ainda mais;
Quando escapulirem as turvas águas
De meu olhar, notarás o Sol das tréguas
Então, dir-te-ei o quanto ainda tenho a amar-te.

® RÓ MAR

ASSIM SE MORRE

 
Foto: Bjorn Oldsen 
 
 

ASSIM SE MORRE



 Anda comigo ver o mar
na alvorada do sentir.
Como humanos
poderemos perder o pé.
Seremos oceano.

Ensaboo-me na tua voz.
Dissolvo-me nas tuas
mãos acesas.
Soletro devagar
as letras soltas
nas ondas do teu corpo.

És um mapa astral.
Não são precisas estrelas.
Leio-te em braille.
Estou cega por ti.
Bordas nos meus lábios
o que a língua diz
e no silêncio da rima
surge a poesia.

Meu rio cristalino,
escuta na concha
o meu grito de maresia.
Enlaça a água.
Falo em mim.
Falo em nós.
Assim se morre
no sitio certo.

Ana Pereira