30 de outubro de 2015

SORRISO


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Sorriso


O teu rosto...

iluminado pelos raios de sol 
do teu sorriso 
faz-se-me presente 
todos os dias da minha vida,
mesmo, e sobretudo, 
naqueles que mais cinzentos
amanhecem...

Foi esse arco-íris 
que das terras de bruma me chegou,
enfeitiçando-me e fazendo-me ancorar
a minha alma na tua, 
com a força telúrica 
das rochas basálticas das tuas origens
ou como as lapas se agarram às rochas
para evitarem serem levadas 
pelas ondas revoltas do teu ( a ) mar...

O teu sorriso de feiticeira
rompeu as brumas
onde voluntariamente me isolara 
e deu sentido, 
de novo à vida...
Hamilton Ramos Afonso

27 de outubro de 2015

…EROTICAMENTE TUA… NÃO QUERO OUTRO JARDINEIRO…




...EROTICAMENTE TUA...

NÃO QUERO OUTRO JARDINEIRO...



Desata as ligas do meu pensamento
E desnuda-me a cintura no gesto que o meu olhar te insinua;
Vem...devagar, estou louca e um pouco na lua.

Acaricia-me o umbigo na cálida saliva, o orvalho do momento
É a fonte dos nossos olhos e o rio dos nossos desejos...
Dedilha em frases loucas o meu corpo e aconchega os seios
Nas saraivadas que me humedecem o coração
E abrem os meus volúveis lábios à nossa paixão.

Sou hélice...eroticamente tua...
A orbita sideral e tu és o mais-que-perfeito

Astro que a involucra, revigoras a flor
No aveludado pólen que me esvai...somos o canteiro
Perfeito…um jardim a florescer no amor.

Sou eroticamente tua...
Não quero outro jardineiro
A saciar as fases da minha lua.

© RÓ MAR

25 de outubro de 2015

MISTÉRIOS DE AMOR...


art by Renata Brzozowska 


Mistérios de amor...


Quando te vestes de encarnado
Ficas de tal forma embriagada
Que eu não te posso dar um recado
Não...Não te posso dizer mais nada

Depois se mexes as tuas ancas
Dessa maneira tão especial
Fico eu com as vistas mancas
Porque a teu corpo não há igual

Enlouqueço por te ver
Vestida dessa maneira
Despida serás meu prazer
Aceita lá a brincadeira

Despe-te pois para mim
Ou então deixa-me te despir
Quero saber se de teu corpo estou afim
Só no fim te quero sentir

Enlouqueces-me com teu amor
Ou com algo que se parece
Me dá um tal ardor
Que o amor até acontece

Olhas-me com um olhar desafiador
Transgrides o que em ti há de melhor
Queres que te dê o meu calor
Num amor que chega a ser dor

Não te posso censurar
Por nada quereres dizer
Apenas queres amar
E colher algum prazer

Armindo Loureiro

NUDEZ



Nudez


Suavemente,
lentamente,
despoja-me,
das vestes
que a minha nudez
tapa

Arrasta-me
para o nosso ninho de amor
e sem pudores,
submete-me
usufrui do meu corpo,
como te aprouver...

Transforma
a minha fúria selvagem
fruto da minha paixão
pelo teu corpo
na mais dura submissão...
e algemado
possui-me,
navegando o meu corpo
trespassando-o
com vigor,
até que
a teus pés
eu seja
o mais submisso
dos amantes...

Hamilton Ramos Afonso

In, Amores em terra de bruma e de lava

12 de outubro de 2015

A MAIS PRENDADA


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" A MAIS PRENDADA "


 
Amor...és para mim a mais prendada,
A mais linda flor do meu jardim,
Como é bom quando estais ao pé de mim,
Alegre, sorridente, descuidada!
 
Se estou longe de ti não valho nada,
Sôfrego amante, tão pobre arlequim,
Não posso meu amor viver assim,
És tudo para mim ó doce amada!
 
Desejar-te, é sofrer esta ansiedade,
Tanto te quero assim, que na verdade,
Eu cantarei teu nome em todo o lado.
 
É tudo o que por ti posso fazer
Cantando para o mundo hei-de dizer:
Que sou o teu poeta apaixonado!
 
Abílio Ferradeira de Brito 

9 de outubro de 2015

UM PEDAÇO DE VIDA E VOLUPTUOSOS MOMENTOS


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UM PEDAÇO DE VIDA E VOLUPTUOSOS MOMENTOS


Um silêncio profundo...tão profundo 
Quanto meus pensamentos rodopiando 
Pelo tule rosa que me cobre a pele
Voando pelo solo em pétalas cheirosas dele;

Um cenário extasiante e tão sereno
Quanto os momentos que planam em pleno
Pelo corpo rubro que me enseja nele
Entrelaçando pela alma em sustenidos de pele;

Um silêncio arrasador e bombástico coração
Pelo olor a rosas que me enleia tão paixão
Quanto meus passos entes pensamentos

Pelo olhar dele que me revestem a pele
Embutindo pelo solo fluidos flácidos em tule;
Um pedaço de vida e voluptuosos momentos.

® Maria Pessoa
(pseudónimo)

5 de outubro de 2015

QUE LOUCURA ESTES NOSSOS INTENTOS


Imagem- Amor, paixão e Sedução


Que loucura estes nossos intentos


Amor, andas louco para me beijar...
Eu louca e resignada pelo prazer...
Que mais será o nosso impulso ao amar
Senão um toque, tempo de algum laser.

Amor, Andas louco para me ter...
Eu louca de desejo para abraçar...
Que mais será o nosso tanto querer
Senão o ‘algodão’ doce e leve a saciar.

São tantos e vários pensamentos
No cruzar os nossos dois corações...
Rosas, espelhos e monumentos.

São tantos desejos e sedentos...
Nosso vibrar, histéricas paixões...
Que loucura estes nossos intentos.

RÓ MAR

4 de outubro de 2015

BEIJOS E BEIJOS...


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BEIJOS E BEIJOS...


A cor dos meus dias
Beijos e Beijos
vejo o brilho 
das estrelas
que vejo no teu olhar
tem o arco- íris
que se desenha

no teu sorriso
e da fruta fresca
que colho, 
avidamente 
nos teus lábios...
A cor dos meus dias
tem o cheiro da natureza
da tua pele,
o calor 
do teu abraço 
e da tua boca 
fremente de desejos...
Beijos e Beijos 
Meu amor por ti sempre...
Amor da nossas vidas 
Beijos e Beijos...

Madalena Lessa


3 de outubro de 2015

...UMAS NAS OUTRAS


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...UMAS NAS OUTRAS


Primeiro foram os teus olhos
depois foi o teu pescoço
os teus gestos meticulosamente precisos
o abandonar dos teus cabelos
sobre o teu rosto
Depois foi a tua boca
que calada dizia tudo que eu adivinhava ouvir
a voracidade e o ardor da pele
o rubor das maçãs do rosto
os olhos postos no chão por pudor

Depois foi o fogo aquecendo as veias
fazendo encosta de lava na pele
na íngreme encosta dos meus sentidos
desapertando verdades
que julgava adormecidas
um crescer de intensidade 
que se avolumou quando os meus olhos
cruzaram os teus

E depois foi aquele boa noite
quebrando o gelo
aquele arrecadar de pedras preciosas
num único aperto de mão
como se as tivéssemos perdidas entre os dedos
e as precisássemos partilhar

Foi aquele instante!
Aquele instante tornado eterno
como se um único olhar bastasse
para que eu te tocasse
e dentro da normalidade das coisas comuns
nos pertencêssemos
como se sempre nos tivéssemos pertencido
sem pressas
só presos por esse cordel
que ata os sentidos das pessoas
umas nas outras!

São Reis

2 de outubro de 2015

A DANÇA DA VIDA


Tela de Apoio & Arte


“A DANÇA DA VIDA”


Como dança o vento pela estrada!
Roda, baixa, e depois volta a subir:
E ele corre, pára, e logo torna a vir
Apressado, a passar numa revoada!

O vento que dança com a poeirada,
Põe a poeirada feliz, doida e a fugir;
Num ritmo invulgar, ela dança a rir
E quando dança ao sol fica corada!

E dança a folhagem já envelhecida,
Através da poeira, segura ao vento;
Dança a correr como o pensamento!

Como a poeira, dança porém a vida;
E o vento, por ser tão bom dançador
Faz-nos abraçar na dança do amor!

Alfredo Costa Pereira
 

ORALIDADE...


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Oralidade...


Apagas-me as palavras quando os teus lábios se encostam aos meus 
e ficam à porta dos segredos meus, 
que partilho avidamente, 
tornado-os nossos,
na volúpia do beijo húmido,
onde confessamos o nosso amor...

Bebemos pelo mesmo copo a luxúria e a sofreguidão,
ao ritmo com que nos despimos 
e vestimos apenas as peles nuas e suadas
dos nossos corpos, com o sal que tempera 
as línguas ávidas de explorar outros sabores, 
outros gostos...
outras geografias...
mais recônditas...

É então que corpos arqueados 
quase que simetricamente reflectidos
se solta o grito 
em golfadas de prazer...


Hamilton Ramos Afonso

QUANDO ME "MATAS"


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QUANDO ME "MATAS"


Desvendas por dentro
o que por fora
está fora do alcance.

Desvendas as cicatrizes
do olhar
quando me acordas
nos teus lábios.

As tuas mãos
conseguem trinchar
toda a roupa.

Cozinhas-me em lume brando.
Descobres todos os espaços.

Haverá sempre
a geometria curva
do sangue que escorre.

É na cama vazia
onde desmaio,
que me torno a gota fria
que cai na terra,
inocente.

Se o corpo está quente
é porque o Amor nada faz.
O teu beijo ausente
não me satisfaz.

Por isso,
se morrer amanhã,
terei um papel primordial:
serei morta
sobre as tábuas
do caixão.

Não chames por mim.
Só te falarão
em discurso indireto.

Hoje,
ficarei no sacrário da mente
e adormecerei no teu
peito vivo.

Ana Pereira