12 de abril de 2015

O NÉCTAR


Foto - CB Tom


O NÉCTAR



O que se passa
na tua cabeça,
não sei.
Só falo que sinto
entre as coxas.

Tocas o corpo quente
de roupa inexistente,
debaixo da luz molhada
da tua língua.

Acende-se o fogo preso
que queima 
pela cintura.
Com a pele da tua mão
experimentas a água intima
da pura sedução.

O corpo reconhece a terra, 
quando rastejamos pelo chão.
Abre-se em flor
e é arrancado pela raiz
com o gesto
derramado na pele.

Deixas cair minúsculas sementes,
letras sem cais.
Atingimos o ponto certo
com as palavras:
poesia corporal.
Escorrem do favo de mel
e perpetuam 
o seu sabor liquido
na tua boca.

Nasce, assim,
o néctar dos deuses. 

Ana Pereira
 

9 de abril de 2015

AMADO

 
 
 

AMADO

 
Inerte nesse leito moldado por um corpo fatigado,
lençóis úmidos pela avidez da pele.
O sono repousa na almofada de sonhos confusos, obscuros.
Os olhos semicerrados, obstinados, cotidianos tediosos...
A alma lamenta tamanho isolamento...
Os pensamentos vagueiam na inércia das horas...
A solidão habituada com as portas fechadas,
amiga deste coração desabitado.
Tantas foram as noites que a lua adormecia sem graça,
desencantando o olhar da cor de esperança,
palavra ignorada.
Eclode um novo dia tedioso, findando-se na mesma rotina.
A noite cobre com seu manto silencioso, a resignação amiga
habitual domina o coração...
Novamente o sono brinca atrasando as horas, despertando
a memória...
Na almofada o sono zomba dos sonhos, a mente vagueia...
Por minutos o lume da lua reluz em todo o recinto,
a languidez entorpece o meu ser...
Pressinto uma energia expandindo-se, envolvendo o meu ser..
Duas mãos carinhosamente despertando-me emoções, arrebatando
meu coração.
A sonoridade da voz ecoa como uma melodia,
romântica e atrevida.
Murmurando delicadamente, almejo unir-me a sua vida,
escreveremos nossa história em lindas linhas...
Há tempos te espero, és minha parte querida,
alma gêmea, flor na minha vida...

 Rosely Andreassa
 

7 de abril de 2015

NUDEZ DO DESEJO

 
Foto: Inna Kowalska
 
 

NUDEZ DO DESEJO

Percorres o meu corpo
sem rumo.
Sem Sol.
Sem Dó.
Sem pausa.

Reluzimos (in)discretos.
com os lábios acesos
na pele dos sentidos.

Fico sem corpo,
quando corro nas tuas mãos
como rio quente.
Mergulhada em seiva,
a rosa abre-se.
Espalha o perfume,
essências afrodisíacas.

Gememos juntos
na urgência da carne
no ponto certo
do orgasmo.

Algo te afoga.
Algo me rompe.
Já.

Enterramos as Palavras.
Nada falo.
Tudo se eleva.
Torna-se mais visível no grito
hibernado na nudez
do desejo.

Ana Pereira