30 de março de 2016

ENTARDECER...


Imagem- Wonderful World of Sunsets


Entardecer…


O Sol espraia-se no horizonte
E a noite começa a acontecer
E eu contigo ali defronte
Na fonte do meu prazer
Abre-se assim o meu olhar
Brilham os olhos por te ver
Num manto te quero deitar
Amor meu, és um prazer
É nesse azul celeste
Que eu vejo o teu reflectir
Nessa hora que tu me deste
Um pouco do teu sentir
Teus tons que são diferentes
Me deixam um pouco inebriado
Ficam ébrios de contentes
Num olhar enevoado
Vibram as minhas cordas vocais
Quando chega a bela hora
E te digo tu és demais
Anda daí, vamos embora
Vamos os dois fazer amor
Entranhar nossas ideias
Que eu estou cheio de calor
Nesse amor que tu me enleias...

Armindo Loureiro 

22 de março de 2016

SEM FREIOS


Foto: Pavel Kiselev


SEM FREIOS


O possível não chega
O impossível não basta.

Quando o aconchego
dos lençóis lavados
forem o teu único consolo,
significa que os braços ainda não
agarraram a tua solidão.

Quando tiveres saudades de um beijo
na boca
bebe um copo de água pois satisfará
o teu desejo.
Beijar é natural como a tua sede.

Talvez te aperte a garganta
quando o que lês
te passar nas cordas.
Talvez fiques na corda bamba
e te faça fixar o olhar
na ausência do ar.

Não tenho sonhos em mim,
caso contrário
andaria sempre a dormir.

Não me rendo à arquitetura métrica
do mundo que me possui.
Mantenho a verticalidade das coisas
tendo o horizonte presente
nunca preenchido
de gestos ausentes.

Estou presa na teia da língua
esperando ser abocanhada na gruta
do céu.

Sou uma viciada assumida.
Uma dependente das palavras
que me fazem gritar
e orvalhar a rosa
sem freios no peito.

Assim,
quando não escrever mais poemas,
significa que morri.

Ana Pereira


20 de março de 2016

DOU-TE ASAS...


Art by Svetlana Valueva


Dou-te asas…


Sou o teu poema
Quando a teu lado estou
Faço-te um esquema
Em palavras de que se gostou
E tu alegre e contente
Lês-me com muita apetência
E não tiras da tua mente
O que lês por excelência
Lês-me em todas as direcções
Lês-me da frente até ao verso
Em leituras de paixões
Se contigo me disperso
Escrevo-te ao ouvido
Escrevo na tua boca
E tu tomas sentido
Desta escrita que é tão louca
Digo-te o que vai em mim
Dou-te asas para voares
Em letras que são assim
Quando te levam pelos ares
Pavoneias-te nessas palavras
Pedes-me mais com mais carinho
E elas por mim te são dadas
Como o meu mais terno miminho
Vão sem pontuação
Para que tu a faças por ti
Com parágrafos de paixão
Nessa ilusão que eu senti
És um mimo a preservar
Por tudo aquilo que sei
E se um dia te ousar amar
É porque o amor em ti é lei
Rege-te, pois, por valores
Que me façam ser feliz
Tirando-me todas as dores
Nesse amor que também quis

Armindo Loureiro

7 de março de 2016

MENINO, DE NOVO




Menino, de novo

 
Convoquei-te
para uma batalha
de almofadas e travesseiros,
travessura que acaba sempre
nos braços um do outro,
em longas trocas de carícias, 
onde as mãos não param de explorar
a pele e o corpo um do outro…

No meio de lençóis revoltos,
almofadas desalinhadas
reina a serenidade
de dois seres que se amam 
extenuados pela valsa da paixão
que duas almas e dois corpos
acabaram de interpretar
no palco da celebração da vida e do amor...

E assim começamos 
nossos cúmplices passeios 
pelas veredas da paixão, 
vestidos apenas com a pele um do outro ,
em brincadeiras de adolescentes
porque , nisso tens uma enorme responsabilidade

A responsabilidade de me teres transformado, 
de novo em menino ladino e travesso.

Hamilton Ramos Afonso
 

AS TAÇAS DE DESEJO





AS TAÇAS DE DESEJO


Quando o universo é o manjar lima/ limão
Nós somos o abençoado fruto a união
E os deuses movem terra em pleno céu;
Tal e qual os olhares que esvoaçam ao léu.

Quando nós brindamos ao amor que sentimos
O universo dilata e fita-nos de mãos dadas
E as taças de desejo saracoteiam nossos lábios;
Tal e qual cirandas de arco-íris em frases molhadas.

Quando há amor verdadeiro o universo brilha
E as estrelas vêm-se estampadas nas faces
Que ainda têm o dia pela frente e a noite centelha;
Tal e qual poema de vida a declarar-se às nossas peles.

Quando nós amamos o sol e a lua beijam o luar
E o céu fica mais colorido e perto de nossos corações
Que ainda têm uma vida a aprender de emoções;
Tal e qual letra que inicia o alfabeto a uno amar.

© RÓ MAR

5 de março de 2016

O TEU SORRISO





O TEU SORRISO


O teu sorriso amor cheio de encanto
Brilhando nos teus olhos o desejo,
Esse teu rosto de anjo dá-me alento
É nele que encanto e me revejo.

Princesa a quem eu amo tanto, tanto,
Que eu hei-de desposar, mas sem cortejo,
Quero ser escudeiro do teu manto
Quero estar ao teu lado, meu ensejo.

A trote ou a galope longe irei,
Atrás de um sonho lindo que sonhei,
Subirei ao mais alto torreão.

E com raios de Sol e de luar
Hei-de minha princesa encontrar,
Pois ela conquistou meu coração.

Abílio Ferradeira de Brito

MEDUSA DA NOITE




MEDUSA DA NOITE


O dia se esconde...
É chegada e a escuridão vem... E com ela,
a medusa da noite rascunhada de escarlate
desabrocha do seu caracol diário.
Uma vez, seduzida pelos sentimentos de
êxtase, e os dividendos de sua vontade,
avança o semáforo da sua volúpia e na
esquina das suas necessidades, inicia
a venda da sua paixão.
E assim, entrega-se ao serpentear do seu
carinho e ao acordar do cio... Lágrimas
despencam dos sentimentos vazios.
Tão logo seu momento se esvazia e no
avançar da solidão, permeia-se em seus
pesadelos mútuos e sonhos, se perdem
no labirinto do amor. 
A medusa nessa hora...
Em vez de amar chora, chora pela vida que
seu feito lhes oferece e pelo aperto em seu
peito e as rugas do agora.

António Montes

ANJAS


Desenho de Francisco Simões


ANJAS


As anjas... eu creio nelas!
Umas são moças e belas
outras fadas de pasmar.

As que num mar de emoções,
e num toque especial,
mostram-nos céus de pecar.

As dos riscos do Simões
nas palavras de Quental.

Aníbal Raposo