25 de novembro de 2015

PORTO DE ABRIGO II


Arte: talantbek chekirov


Porto de Abrigo II

Faz de mim o teu
porto de abrigo
traz a tua pele 
para junto da minha
em mistura de
cheiros e sabores...
e ancora a tua 
embarcação na enseada
dos meus braços...

Serena, adormece 
tranquila 
enquanto eu velo
pelo teu descanso

DISTÂNCIA


Art by Gardenia by Gardenia


DISTÂNCIA


Separa-nos um mar
suave fragrância desprende-se das ondas
quando penso em ti.

Entro nesta imensidão que és tu
música que desperta meu olhar difuso
perdido em ti.

Sentimentos que se envolvem nas ondas
que de ti saem
essência ampla de mistérios profundos
que em ti se escondem.

Trémulo desvendo-te de um olhar só
como as ondas que arrebentam na praia.

Espero-te só
no deserto imenso
minha vida
sujeita às marés do mar revolto.

Fernando Figueirinhas


ÉS FOGO QUE ARDE EM MIM...


Art by Damian Klaczkiewicz - Sensuality in Art


És fogo que arde em mim...


Tu que és fogo ardente
Que arde sem eu o ver
Vives em mim tão contente
Tu tem isso bem presente
Será erro no meu ser?

Brincas comigo no calor
Que me transmites assim
E eu que te dou o meu amor
Às vezes perco o humor
Fico triste no teu jardim

Percorro o teu caminho
Nos diversos sentidos que tem
Dou de mim um bocadinho
Num abraço que é miminho
Nesse amor que me convém

Inquieto-me desmesuradamente
Quando te tenho dessa maneira
E te peço de tão contente
Para teres isso sempre presente
Quando te faça uma brincadeira

Sei que é esse meu feitio
Esse de que tu mais gostas
De ti eu jamais me rio
Nem que venha a ter frio
Desde que tu caias de costas

Gosto tanto de te ver cair
De costas na minha cama
Tal é o verdadeiro sentir
Podes crer não estou a mentir
E nisso não ganhei fama

São fortes as minhas emoções
Quando desse modo te tenho
Não me importam as opiniões
De alguns dos fracos corações
Que dizem que não te convenho

Armindo Loureiro

16 de novembro de 2015

VIAGEM


Art by IN$PiRATiON


VIAGEM


Venho de outros lados.
Avisto cercados e portais,
lugares íntimos perto de ti.
Sinto o ambiente acolhedor:
verde escuro intenso,
azul no ar da madrugada.
Caminhos sinuosos,
cobertos de árvores
e clima perfeito, 
que a sorte nos escolheu.
Casas estampadas em montes,
portas abertas ao silêncio.
Convite certo para a noite 
que nos espera.

Fernando Figueirinhas

AO LUAR




AO LUAR 


Cálida noite, 
de lua cheia a convidar
a um passeio pela praia, 
areia molhada,
espuma a beijar-nos os pés
ritmados em lenta valsa 
de dois corpos 
que caminham lado a lado
enlaçados,pelos braços
a rodear a cintura e embalados
pela suave musica
da rebentação das ondas, 
embebendo a ávida areia...

Sentámo-nos 
e demos livre pulsão
à ânsia de dois corpos,
em se amarem, 
em se entregarem
lentamente embalados
pelo chamado do marulhar das ondas, 
que suavemente nos embalava...

Então o meu corpo feito arco, 
arrancou ao teu gemidos de violino, 
tangendo as tuas cordas tensas,
lentamente no inicio
e em tropel no final...

Por fim as ondas
beijavam-nos os pés ainda juntos 
e a lua,
essa iluminava em foco, 
o palco onde tínhamos exibido
a sinfonia do nosso amor...

Hamilton Ramos Afonso

8 de novembro de 2015

A GRUTA DE DESEJO AMANHECE...


Imagem- Talana


A GRUTA DE DESEJO AMANHECE...


A gruta de desejo amanhece...
Cascata que rendilha seios e rasga as vestes no sal que volúpia a saliva
E silencia-se a voz no cintilar do olhar madrepérola...
Corisco que dedilha a pele e clama o ventre dos poros e enlouquece.

Os cabelos voam ao vento no raio da estrela
Que a noite seduziu, em taças de água cristalina,
E a natureza cresce viscosa e de aroma a mel de açucena,
Algo de excitante, ’favos’ que se degustam, a seiva.

E, ouve-se o eco e o amor espelha-se nas águas, paradisíaca mina 
Que cintila e luz a ouro, um mundo no clarão
Que incendeia e floresce o coração.

A Gruta de desejo amanhece...
Na serena e rubra face de lua que fecundou o óvulo da jovialidade 
Na casta natureza que a noite brindou a felicidade.

© RÓ MAR

4 de novembro de 2015

ENCANTOS...




Encantos...


Em cada sorriso teu 
colho a cor intensa 
das rosas vermelhas,
perfumadas 
e delicadamente cuidadas 
pelas tuas mãos de seda...
Com elas vêm os espinhos da saudade
não pelo amor que podia ter sido, 
mas sim pela amizade que nasceu do amor esquecido
afecto fortalecido apesar da distância...
que nos separa...
...unidos pelos aromas colhidos em sonhos 
em noites cálidas olhando o céu
contando as estrelas que cada um acende, para o outro...
sonhando acordado na magia daqueles abraços
que deixaram em nós o calor do afecto
e a mistura da alfazema e do jasmim
que perdura e nos perfuma todos os dias
recordando-nos a promessa que fizemos
olhos nos olhos: cada um viver a sua vida 
na vida do outro para sempre...

Hamilton Ramos Afonso

3 de novembro de 2015

TOCA-ME AO DE LEVE SIMPLESMENTE


Imagem - Bellissime Immagini


TOCA-ME AO DE LEVE SIMPLESMENTE


Toca-me ao de leve em beijos de pétalas
Escreve-me o amar em poema sem letras
Pelo meu corpo perfuma aroma a rosas
As do teu quintal...largam cheiros de aguarelas.

Toca-me ao de leve em desejos teus
Ensina-me a desenhar pelos teus olhos
Baladas siderais que abrem aos céus
As do meu coração...momentos mais sonhos.

Ama-me ao de leve em sílabas mais loucas
Veste-me de entrelinhas estreladas
As tuas roupas molhadas...volúpias...dedicatórias

Desnuda-me a alma em voz mais excitante
Encontra-me em refrão...lê freneticamente
E toca-me ao de leve simplesmente.

© Maria Pessoa
(Pseudónimo)

POEMA EM NÓS...


Arte: "Lovers"

Poema em nós...


Recebi, de manhã 
a folha em branco 
do teu corpo 
ao acordares, 
com o teu rosto 
banhado de luz 
do mais gaiato 
sorriso... 

Num abraço 
onde as palavras 
se calam 
por desnecessárias 
escrevi o mais belo 
poema de amor 
sem palavras 
onde os gestos, 
a força da troca 
de afecto, 
a ternura dos olhares 
cúmplices e ternos, 
foram o bastante 
para entender 
as entrelinhas, 
essas sim cheias 
de sentido, 
de amor, 
de paixão, 
de luxuria e prazer 
que só duas almas 
que se pertencem 
são capazes 
de escrever 

E o poema 
que quis escrever 
na folha branca 
do teu corpo, 
tornou-se 
no mais belo 
poema 
a quatro mãos... 

Hamilton Ramos Afonso

VOLÚPIA ANCESTRAL




VOLÚPIA ANCESTRAL


Acorda a noite, adormece o dia,
Eu vejo tudo agora transparente
No teu olhar, o sonho de poesia
Que leva pra um lugar diferente.

Lugar onde tudo se torna magia
Diferente desta nossa realidade.
Acorda a noite, adormece o dia
Desperta a nossa sensualidade.

Essa volúpia, sagrada, ancestral
Que herdámos com nosso nascer
Essa natureza de pecado mortal.

Que não conseguimos desprender
Porque, tudo em nós é tão natural,
Como o beijo que mata meu prazer.

Joaquim Jorge de Oliveira

MINHA ROSA RUBRA


Imagem - IN$PiRATiON


MINHA ROSA RUBRA
 

Ruborizas-te ao ver-me...
Toquei-te e estremeceste...
Olhaste-me nos olhos e uma lágrima se escorreu.

Porque será que a felicidade é cúmplice na dor!?
O que sinto é deveras amor.

És a natureza mais bela, botão em flor,
E ainda mais linda ao brotar de lágrimas
Do teu ser de rosácea incandescente.

És o meu presente...
Não tremas, sou o teu porto seguro,
Quero apenas dar-te os carinhos que mereces,
Deixa-me sarar as feridas de que padeces.

Na palma da mão recolho as tuas lágrimas,
Quero fazer delas o rio das alegorias,
O infindável oceano verde, cor dos teus olhos.

Da vida tenho muitas experiências, mas nunca encontrei
O momento que hoje eclodiu...que quero agarrá-lo por ti e por mim.
  És a rosa mais rubra e cristalina que alguém imaginou, e, eu arrecadei.

Segue o meu olhar, vou-te ensinar os passos mágicos
Para uma caminhada de largos sorrisos, deixa-me desfolhar
As tuas sedosas pétalas e gravar em cada o beijo dos teus lábios.

És o meu paraíso, quanto o desejei...meu tesouro.
És o universo por que me apaixonei...o céu de alegrias.
Hoje sei que sou a alma que te faz sorrir e tu és universo em mim.

Minha rosa rubra que o teu triste olhar
Seja passado que o oceano levou nas correntes
Que invadiram nossos corações;
Que sejamos almas contentes,
E a nossa vida seja a maré das constelações;
A-M-O- T-E.

 © RÓ MAR

2 de novembro de 2015

LAVA QUE ESCORRE...


Gardenia by Gardenia


Lava que escorre...


A lava escorre
E tu estás feliz
Ninguém morre
Foi isso que se quis
Lava escaldante
Escorrendo por ti
Naquele instante
Foi o que senti

Tua cratera incandescente
Faz com que isso aconteça
E eu tenho isso bem presente
Mesmo que às vezes não pareça
Gosto de ver a tua cratera
A flamejar dessa maneira
Nunca será grande a espera
Se acontece uma brincadeira

No calor da refrega
Em que o amor sobressai
Depois dessa entrega
Qualquer um assim se esvai
Numa esvair não contínuo
Nem poderia ser assim
Onde eu perco o domínio
Que já tive sobre mim

És uma bela flor
Que eu faço despertar
Num beijo com muito amor
Sinal do meu amar
E tu ali condescendente
Com a forma do meu ser
A dizer eu estou presente
Faz lá isso acontecer

E não é que acontece
Uma coisa do outro mundo
Que a amor até se parece
Quando consigo ir ao fundo
Um fundo maravilhoso
Que é pertença tua
No amor eu flutuo
Quando assim te vejo nua!

Armindo Loureiro 

SILÊNCIO DO MEU MURMÚRIO


Art by Tim Parker

SILÊNCIO DO MEU MURMÚRIO


Segredo-te

com voz de desejo em labareda
a traduzir o silencio do meu murmúrio
do que quero em ti...
em pensamento.

Toco-te

fazendo-te contrair a cintura
em todas as fomes gritadas 
num olhar 
e num ávido beijar.

Cansei-te

no "lodo" dum prazer
que foi teu
que foi meu
que foi nosso!

Carlos lacerda

UMA NOITE NÃO CHEGA


Foto: Morfi Jang & Iwona Aleksandrowicz


UMA NOITE NÃO CHEGA


Fizeste de mim
Palavra
e por isso,
quiseste-me nua
para me vestir de insónia
e sentir.

Enquanto o dia
dormia,
levei o meu corpo
desnudo
à luz do teu auscultar.

Levava o ventre inquieto
e a boca com fome.

Enlouqueceste-me,
quando soube que
não tinha cura,
com o peito nas tuas mãos. 

Fitei-te com as cicatrizes
nos olhos
e viste uma beleza 
que não há. 

Perturbaste-me 
com o teu toque
e mergulhamos bem fundo
no inconsciente
da mente.

Libertamos o nosso fogo.
O chão ficou em cinza.
A minha voz
ecoou no silêncio
da tua boca. 

Respiraste o meu grito,
quando me mataste.

Agora habito as tuas palavras
todos os dias,
pois uma noite não chega. 

Ana Pereira
 


1 de novembro de 2015

MEUS VERSOS OUTONAIS...


Imagem do Google


Meus versos outonais...


Escrevo estes meus versos outonais...
Com quanta saudade e sentimento?...
As meras lágrimas soltas ao vento...

São agora lagos intemporais!...

A triste e a alegre sina...o dom raro...
O ser que me fragmenta leve...a alma!...
E a flor a brotar pela noite calma!...
É tálamo aonde me deito...aonde varo...

Os sonhos descerrando rios e galés...
Os barcos a navegar...as marés...
E os mares desabrochados em flor...

E Minh ´Alma curvada aos pés de Deus...
Profundo ora a um cantinho dos Céus,
Louvando a feliz dádiva do amor!...

Helena M. Martins

QUEM ÉS TU





QUEM ÉS TU


Quem és tu minha princesa querida
Que te apoderaste do meu coração 
Entraste de tal forma na minha vida
Sem avisar, sem pedir permissão 

Quem és tu que iluminas os meus dias
Que me faz por uma nova vida sonhar 
Cheia de muitos sonhos e fantasias 
Onde quero e desejo contigo estar

Quem és tu que não me sais do pensamento 
Sonho contigo muitas coisas sem nexo
E que em cada noite em cada momento
Só penso nas nossas doces noites de sexo

Quem és tu que me deixas com grande vontade
De beijar teu lindo pescoço, teus lábios sensuais 
Fico como louco por ti com uma enorme saudade
De beijar todo o teu corpo e não terminar mais

Quem és tu que acordaste o meu coração 
Sonho todos os dias pelo teu doce carinho 
Um sentimento total e estranha obsessão 
Desejando um simples e suave beijinho

Quem és tu minha luz ,minha estrela brilhante
Quero agora a meu lado, sentir o teu calor
Mas apesar de estares mesmo muito distante
Fiquei muito feliz por ouvir dizer meu AMOR

Paulo Gomes