18 de maio de 2015

JOGO NOTURNO


Foto: Alenushka Sestrichkina


JOGO NOTURNO


A cama fica de vigília.
A roupa é cadente.
A pele submissa
ao toque.
O corpo é fluído.
As mãos são virgens.

A noite é profana.
É dela que imana
o grito surdo
no poço sem fundo.

Os beijos silenciados
ficam perdidos nos
recantos do corpo.

Só poderão ser palpáveis
na cama acesa,
lábios de rosa,
colhidos por ti.

Infiltra-te na terra.
Incendeia a sombra.
Assim orvalhará na primavera.

Amanhã
este poema irá invadir-te
e verás que 
nada é o que parece.
Apenas um jogo (poético) noturno.

Ana Pereira


10 de maio de 2015

APETECES-ME… E REENTRAS TODO O SER…


Imagem - Vicente Romero_Sensuality in Art 


APETECES-ME… E REENTRAS TODO O SER…


Apetece-me… abrir a janela e olhar o mar… 
As ondas a saltear… fluentes de um rio nosso
Que envolta o meu desejo de te amar…
Que seios… olhar salgado que emposso!

Apeteces-me… e reentras todo o ser…
Mais-que-perfeito… beijo de magia…
Vens… ao meu encontro… quanto enlouquecer…
Deleite pelas pupilas da poesia!

Amamo-nos… dois loucos de prazer
Que se envolvem de alma num só leito
Experto de universos… conjuga o ser.

Resta o sonho que há-de amanhecer
À janela… o quarto… mais-que-perfeito…
O meu corpo banhado do teu ser.

® RÓ MAR

8 de maio de 2015

PERFIL


 
 Arte: Anna Marinova Анна Маринова Tutt'Art@

Perfil

 

À medida que o processo de conhecimento
da tua beleza interior avançava
inúmeras descobertas levaram-me ao fascínio
e ao encantamento, que desaguou neste afecto
que nos une, exactamente pelas nossas almas...

A sageza e acutilância na resposta pronta,
a irreverência no humor,
algumas arestas no feitio,
a ternura e o imenso carinho no trato,
sempre foram traços de fascínio
que admirei e que me levaram sempre
a sentir orgulho em ti...

Velando-te o descanso
essa beleza interior perpassa
no sereno e seráfico ritus do rosto,
belo e emoldurado
num fantástico cacho de caracóis castanhos,
não perdendo essa imagem angelical,
mesmo na agitação durante o sono,
em noites de sonhos mais agitados.

E aí é a minha vez
de encher o meu rosto de luz
num terno sorriso
e sem nunca deixar de velar o teu descanso,
depositar um leve e casto beijo
nos teus lábios,
de seda carnuda...

Hamilton Ramos Afonso
 

7 de maio de 2015

CONTROVÉRSIAS




CONTROVÉRSIAS



Extenuada pela ansiedade em ouvir seu coração
descompassado,deferir a meiguice ao pronunciar 
amo-te...
Entre devaneios desperto com os espinhos das rosas
murchas, lesando o meu corpo...
Aflita tateio no escuro, meus pés deslizam sobre cacos,
sentimentos partidos, fragmentados em pedaços.
Perdida nesse espaço,aprisionando-te na saudade...

Por vezes sinto meu corpo de papel em suas mãos...
Lágrimas de amêndoas maduras umedecem 
a moldura, eu toda nua, apenas sua...
Mas subitamente a melancolia se faz presente,
limitando nossas mentes com suspeitas...
Adentramos por janelas, abismos desconhecidos,
causadores de conflitos, amarguras na alma...

Tranquilize meu coração, segure as minhas mão,
conduza-me por caminhos que não seja a solidão.
Não permita que a ausência resfrie a paixão, isolando
duas almas, amarguradas separadas, carentes de carícias,
amor e dedicação.
A brevidade do tempo não espera,quero-te agora, necessito 
sem demora dizer-te amo você!

Rosely Andreassa

MELODIA-ME


Foto: Scarabuss

MELODIA-ME


Sento-me ao piano.
Da ponta dos dedos 
emergem as notas

musicais
na pele pautada
recatada
no avesso da roupa. 

Escuta 
a melodia do corpo
que se toca em silêncio.
A musica ausenta-se.

Isolo o caos 
da luz. 

Há compassos. 
Há suspiros dedilhados.
Os contratempos são inexistentes. 
Abrimos as colcheias 
permanentes
e sonantes.

Nos gestos clássicos
da volúpia
as palavras são claras
na boca nua. 

O beijo é a palavra 
inaudível
que te aflora 
nos lábios.

Depois da poesia,
melodia-me
em silêncio.

Ana Pereira

SABES?



Sabes?


Sabes,
conto os dias 
que restam desta saudosa espera,
até ao nosso encontro.

Dizem que ajuda a mitigar
a dor da separação

Pura ilusão
o que a mitiga é imaginar
o encontro contigo, meu amor

Sei que te receberei sorrindo-te
de braços abertos onde te acolherei
fechando suavemente o laço do afecto

A saudade apagar-se-à lentamente,
à medida que o calor do teu corpo 
e o perfume dele, se misturarem, 
com os meus...

Após o que tomarei teu rosto, 
em minhas mãos e o beijo , 
tantas vezes prometido, finalmente
far-se-à presente...

As nossa línguas, no salão das bocas 
ensaiarão uma valsa lenta primeiro, 
em crescendo depois…

Strauss, em sonho, ouvir-se-à através da partitura
do beijo, doce, quente e salivado

Por fim pegarei a tua mala, e de mão dada
levar-te-ei ao nosso ninho de amor…

Conto, os dias, com ansiedade, meu amor
mas a saudade de ti não abranda… 

Hamilton Ramos Afonso