7 de novembro de 2017

... QUANDO ACORDAVAS EM MIM


Imagem - Art of God and Nature 


... QUANDO ACORDAVAS EM MIM


Ah, queria ter-te aqui bem junto a mim,
Rente ao coração, que é parte de ti!
Sentir aquele abraço, sem mais fim,
Que davas quando eu olhava para ti.

Ah, queria ser o luar em noite de verão,
Beijar o azul do céu e rete-lo em mim!
Sentir aquele aroma de jasmim
Que libertava quando te tocava ao coração.

Ah, queria ser a lua em quarto crescente!
Sentir aquele ondeado de constelações em mim
Que guiava quando vibrava o mais que presente.

Ah, queria ter-te aqui bem junto a mim!
Sentir aquele dia sereno e estuporante
Que pestanejava quando acordavas em mim.

© Ró Mar 

28 de outubro de 2017

O MAIS BELO SONHO QUE PODIAS IMAGINAR


Imagem - Zzig.comunidade


O MAIS BELO SONHO 

QUE PODIAS IMAGINAR


Que meus versos te cheguem em sonhos
Macios tais como meus lábios os escrevem;
Que tua noite encontre a serenidade que vem
De um vento pouco de olhos risonhos.


Não tenho à cabeceira luz para alumiar
Pensamentos que hão-de despertar
De uma noite viajante, ainda assim, podes confiar
Que o que expresso é sonho que vais amar.

Que meus versos te elevem o inconsciente
Numa certa paisagem e amanhã, ao acordar,
Sintas à flor da pele o que te soletrei pela noite
Como o mais belo sonho que podias imaginar.

© Ró Mar

30 de setembro de 2017

LINGUAGEM DAS ALMAS




Linguagem das Almas


Depois de fazermos amor,
Ficamos a contemplar,
Os nossos corpos nus, cujo calor,
Ainda na nossa pele reluz na forma de amar.

Todos os músculos do teu ser,
Vibra perante o meu olhar,
E a sua mensagem quer dizer,
Que mais amor me queres dar.

Eu aceito o desafio,
Pois nunca me canso de ti,
Nem do teu aroma fugidio,
Nem do teu sexo envolto em organdi.

Talvez seja uma estranha profecia,
O certo é que me tens aqui,
Um sorriso, uma eterna magia,
Mutação perpétua dum dom que nasceu em ti.

Depois de fazermos amor,
Repouso amorosa no teu peito,
Nele não há lugar à dor,
Há sim à linguagem das almas ao teu jeito.

Áurea Justo

In Folha De Papiro Perfumada

https://www.facebook.com/autora.aureajusto

18 de setembro de 2017

GOSTO DE MÚSICA CLÁSSICA




Johannes Brahms e o Amor...

Gosto de Música Clássica


De toda a música Clássica, 
como hino à arte de entrelaçar notas musicais,
de modo a fazer uma simbiose de vários instrumentos
e magistralmente
fazer acontecer Música...

Brahms, é um dos meus compositores de Culto e 
na sua genialidade vejo sempre, 
ao escutar os seus concertos para piano, 
odes ao Amor.

No primeiro andamento, 
chegamos a sentir a tortura,
a dor física
que conhecemos no amor físico, 
com a ânsia e a sofreguidão 
de fundir o nosso corpo com o da pessoa amada,
em movimentos vibrantes, 
que os grandes interpretes de Brahms 
executam com mestria, 
volúpia e uma intensidade tão vibrante,
como no amor carnal...

A transição para os outros andamentos,
doces, serenos e envoltos em grande ternura,
têm igual correspondência no amor entre dois corpos,
apôs o êxtase e a dádiva total, 
sobra a serenidade, 
a doçura, 
o abandono ao langor próprio da felicidade...

Por isso quando preciso de calma e tranquilidade 
e na ausência da pessoa amada,
ouço Brahms...
sempre, 
com o deleite que sinto, 
como se estivesse a fazer amor...

10 de setembro de 2017

AINDA TER TEMPO DE SONHAR MEU AMOR


Imagem - ARABE§QUES 


AINDA TER TEMPO DE SONHAR MEU AMOR


Há um aroma que te chama de amor.
O vento tem o cheiro de canela 
Que se degusta no sabor de um beijo
Demorado ao silêncio da janela.

Há vida pelo que ainda sei respirar.
O coração tem largas vistas pelo teu olhar
Que se difundem em baladas de uma especiaria
Refinada pelo antro da imaginação.

Há um amor que ainda é recordação.
A alma tem asas aladas à tua poesia
Que se perfumam na imagética que desejo
Ainda ter tempo de sonhar meu amor.

© Ró Mar

6 de setembro de 2017

ESSES TEUS CABELOS NEGROS


 art by Claudio Tosi - Gardenia by Gardenia 


Esses teus cabelos negros


Esses teus cabelos negros
São da cor do azeviche
São tão negros, tão negros
Dão para sonhar com um fetiche

Esses teus cabelos negros
São da cor do alcatrão
São tão negros, tão negros
Que me criam uma ilusão

Esses teus cabelos negros
Que eu gosto de ver em ti
São tão negros, tão negros
São a beleza que eu senti

Esses teus cabelos negros
Que eu gosto tanto de olhar
São tão negros, tão negros
São a negrura do meu amar

Esses teus cabelos negros
Que encobrem uma tes tão bela
São tão negros, tão negros
Que eu pergunto onde está ela

E tu que és essa beleza
Encoberta por cabelos negros
És bela e és fruto da natureza
E de te ver os homens ficam negros

E é nessa negritude
Que eu homem também te vejo
Fico negro com a tua virtude
E mais negro se te der um beijo

Armindo Loureiro

15 de agosto de 2017

LOUCURAS POÉTICAS




Loucuras poéticas


louco, muito louco
pelo beijo na boca
molhado, insano
livre de preceitos doidos,
sim louco, ah, muito louco
pelo beijo guardado 
a sete poemas, 
a sete poesias 
de uma alma cristalina
como a lágrima do êxtase.

totalmente louco 
pelo corpo despido
de tristezas, vestido
pela mais pura nudez 
de âmago, de palavras
soando como música
à poesia quase sem fim.

louco, mas muito louco 
por estes olhos azuis,
azul cor do mar 
azul cor do céu
azul cor do luar
rompendo a madrugada
de gritos ritos e sussurros,
pois o orgasmo
não é um detalhe, 
em todos os versos
amor.

Auber Fioravante Júnior

APETITE





APETITE


As revoluções ocorrem
a solo,
sentados à mesa.

Na onda
do bota abaixo,
no restaurante quiseste
o aperitivo
e eu subi o vestido.

Trazia os seios envergonhados
e tu a desejar
que estivessem destapados.

Rasgaste a roupa.
Trinchaste a pele.
Passaste a língua pelo molho.

Tremes.
Arrepio-te.
Suspiro.

Não quero os buracos
preenchidos com palavras.
Quero vácuo.
Tira-me o ar.

Vamos cair.
Gosto de catástrofes.

Sairemos ilesos
sem estarmos presos
a cartas predefinidas.

Agora podes pedir a comida.
Mas se não te faço falta,
não a peças.

Vamos abrir a noite
ou não tens apetite?

ANA PEREIRA

31 de maio de 2017

SOBRAM-ME OS GESTOS...




SOBRAM-ME OS GESTOS...


Já me faltam as palavras...
para te dar notícias do meu amor
gastas que estão na sua exiguidade
o verbo exaurido de tanto o usar
adjectivos esgotados para o quantificar

Ficam-me os gestos
tão mais eloquentes
as mãos para te acariciar
os braços para te acolher suavemente
cabeça encostada ao meu peito
corpos frementes de desejo
alapados abandonando-se ao doce langor
mistura de desejo e bem estar
lábios que se procuram e desfloram
na volúpia do beijo salivado

A ternura suprema de descansar
a cabeça no teu colo
os teus delicados dedos 
em volúpia acariciando-me o rosto

Faltam-me as palavras para te confessar amor
mas porque usar as gastas e repetidas
palavras se os gestos inesgotáveis
são bem mais eloquentes... 

 Hamilton Ramos Afonso

1 de abril de 2017

HOJE QUERIA SOMENTE




HOJE QUERIA SOMENTE


hoje queria somente ter o encontro permanente com o teu corpo
a liberdade de uma respiração profunda e permanecer em ti para sempre
deitada nas sombras das nuvens e voar com a minha mente ausente só sonhar, sonho permanente
onde pudesse caminhar correr e permanecer como tinta que nem saisse com diluente
somente ficar a escutar teu bater de coração urgente, troteado apressado de quem vive a liberda... de presente
nas asas de um pássaro no rastear de uma víbora nas areias desenhadas nossas peugadas
no teu chão ficar completamente como se nada mais existisse e fosse tudo da gente
uma gota de água doce delimitada por água salgada, teu corpo

16 de março de 2017

SINTO O TEU CORAÇÃO, TÃO ATENTO...




Sinto o teu coração, tão atento...


Diz-me, sim diz-me
Que música ele escuta,
Que bailado sensual o encanta,
Que palavras doces o fazem viajar
Que sentimento o faz sonhar!

Quero perceber 
o que se passa na tua alma.
Cantar a canção 
que te tira toda a tua calma.
Eu sei, 
que é outro o mar em que navegas.
Mas tu sabes 
que não há limites para sonhar!

Não estou a cobrar 
o preço de nenhuma promessa.
Só que és tu a ilusão, 
que na minha vida se atravessa!
É teu o perfume 
que inalo nas ruas por onde caminho.
És tu a ave 
que em sonhos poisa no meu ninho.

E as tuas palavras 
acordam uma paixão esquecida.
O teu beijo escreve 
palavras no meu corpo adormecido.
E eu aprendo a amar 
e a ver que a vida só faz sentido
Se o coração bater por amor...

Angela Caboz

ESPAÇO


Foto: Rosário Pereira 


ESPAÇO


Ando sempre nas alturas.
Por isso,
não te chego aos calcanhares.
Quase subo pelas paredes
com as pernas cruzadas.

Toma o meu corpo.
Tem um cuidado intensivo
com ele.

Na boca, as palavras
trazem razão
mas depõem contra
o coração.

Os verbos irregulares
trazem ações imprevisíveis
dentro de mim.

A urgência dos olhos,
a mensagem nos lábios
que traz a palavra indecente,
como se entrasses
pela minha roupa a dentro.

E o coração bate sob a blusa
ardente,
sem saber bem o que sente.

Estendo as pernas
e aguardo o toque
da origem do Mundo.

Um espaço para permanecer.

Ana Pereira


9 de março de 2017

MULHER



Edir Pina de Barros


SENTA-TE AO LADO DO MEU SILÊNCIO...




Senta-te ao lado do meu silêncio...


Escuta as ondas e o meu silêncio...
Senta-te comigo, sem me tocares,
sente o cheiro da maresia
e olha o Mar e o céu fundidos nesse intenso azul...
Preciso respirar o perfume do Mar do teu lado,
pressentir o calor da tua pele
sem ainda te tocar,
sem ainda me tocares...
Deixa-me ouvir o bater do teu coração
misturando-se com o vai e vem das ondas...
Deixa-me voar em pensamentos
sem tirar os olhos do mar...
Espera o vento chegar
para então me dizeres que me amas
Ate lá deixa-me ficar só assim,

Depois falaremos de amor e... muito mais...

Madalena Lessa


ONDE DESCALÇA CAMINHO EM TI




ONDE DESCALÇA CAMINHO EM TI


quero sentir a areia fina sobre os pés
e a rocha bruta...
na relva de um jardim 
como aquele tapete que compraste para mim
onde descalça caminho em ti
pedras macias que retiraste daqui
e em pós transformaste
para amaciar a caminhada dos meus dias

Ana Carvalhosa


A ETERNIDADE SERIAMOS NÓS




A ETERNIDADE SERIAMOS NÓS


Percebi que existe eternidade
Quando me esqueci de mim
Perdida no calor dos teus braços

Esqueci-me que o tempo existe de verdade
Julguei que este momento não teria fim

Sonhei viver nos teus abraços
E alimentar-me do teu amor
Procurar neles o cheiro da felicidade
E deliciar-me com o seu sabor
Tudo o resto, poderia ficar para mais tarde

Percebi que poderia haver eternidade
Se os meus sonhos se unissem aos teus
Se os nossos sentimentos se entrelaçassem de verdade

Se os teus desejos se aninhassem nos meus
E nos esquecemos de que somos dois

Perdidos por um amor que é único
Sem pensarmos que existe um depois

A eternidade seriamos nós
Que de mãos dadas com o amor
Deixaríamos de nos sentirmos a sós

Angela Caboz


19 de fevereiro de 2017

MOMENTOS QUE SE SENTEM...


Art by V. Biktoriya


Momentos que se sentem…


Tua mão na minha mão
Num silêncio inaudível
Aquece o meu coração
Que só pensa na paixão
Até onde isso é possível

Abres assim um desejo
Que há muito há em mim
E logo te dou meu beijo
Eivado do meu desejo
E desse beijo estás afim

Aperto-te junto ao peito
Dou-te um terno apalpão
E tu ficas quase sem jeito
Se a teu lado me deito
Mas que bela sensação

Entras logo em desespero
E começas toda a tremer
É assim que eu te espero
Porque de sempre eu te quero
Para um momento de prazer

Ó vida que és tão bela
Eu te canto este meu fado
Quem me dera sempre tê-la
Aguardo-te na tua janela
À tua porta ou noutro lado

É assim que te pego na mão
E ta aperto tão ternamente
Passo para ti minha paixão
Na vivência desta ilusão
Num momento que se sente


PEQUENINA




PEQUENINA 


A nudez do corpo
é uma ideia vaga e solta.
Bebo o teu hálito...
e uma ilha surge.

Pousas os lábios no peito
e nascem estrelas nuas.
Eu sinto-me pequenina.

No plano somos
pontos coincidentes
e alongamo-nos infinitamente,
sem paralelismos.

Gostamos do que é perpendicular
para nos podermos encontrar
em qualquer lugar.

Os abraços são bons,
dependendo do ângulo.
É bom o que é agudo
e isso não é grave.
Apenas mais apertadinho.

Queres aumentar a intensidade?
Vamos dar uma volta
pois isso será giro,
para depois rasarmos tudo
entre quatro paredes.

Mas eu sou pequenina
para dormir 
entre os teus braços.
Ponto.

Ana Pereira


… A VIDA EM NÓS




… A VIDA EM NÓS


Viver é assim sinónimo de nosso amor,
Crescer e desabrochar lado-a-lado
Como raiz que difunde em gémea flor,
Fino canto de pétalas perfumado.

Fino canto de pétalas perfumado
Ao extremo de um universo desejado,
Onde as estrelas sempre brilham em nós,
Como se nossa vida fosse una voz.

Como se nossa vida fosse una voz
Ao encontro de uma só felicidade interior,
Onde a natura é sempre o nosso amor,
Uno poema declamado a pó de arroz.

Uno poema declamado a pó de arroz,
Essência de dois corações em flor
Onde germina à flor da pele aquele frescor,
Que perpetua no tempo a vida em nós.

© RÓ MAR